Que força é essa? Para Maria Osório
Que força é essa que nasce da barbárie na que nos estão a submeter, essa força que ainda contemos e que não lhe damos saida? Quanto mas terá que acontecer?
As nossas ruas tinguem-se de abusos da oligarquia financeira, dos banqueiros e governantes que roubam os nossos empregos, as nossas moradas, os nossos direitos. Em quanto isso, as ruas estão cheias de individualismo. É hora de não nos deixar mergulhar neste tempo fodido.
Lembramos estes dias que há mais de um ano que vieram, que entraram a saco, com alevosia ditatorial, e que se levaram a uma, a duas, e no final a uma cheia de Companheiras e Companheiros que parecia increscente e incontável, parecia que em qualquer momento seriamos qualquer de nós.
Pôs a gente nobre e loitadora em pé de espreita, sabendo que a preta gadanha vinha em qualquer momento. O desespero juntou com a solidariedade. Todas e todos saimos com os dentes apretados, represas de desinformação e anceios de liberdade.
Escrevemos agora e não é plural de agochadoiro nem de não dizer os nossos nomes, alvorecemos das gadanhas dos Virreis que conhecem as espigas das nossas vidas.
Escrevemos após da manhã na que recebemos novas com alegria da nossa companheira Maria Osório. As palavras debuxan as paragens desgarradoras da barbarie do sistema penitenciário. Debroca sobre nós uma semente de batalhas necessárias e imprescindíveis às que devemos enfrentar.
No meio dia o que Maria comentava misturava-se com a música de Sérgio Godinho, "Que força é essa/ que trazes nos braços/ que só te serve para obedecer/ que só te manda obedecer".
As palavras dela, de Maria Osório, escritas com força, entretecíam-se se com as escritas e cantadas durante quatro
décadas, e a canção colhia nova melodia significante, sempre revolucionâria, "Não me digas que não me compreendes/ quando os dias se tornam acedos/ não me digas que nunca sentiste uma força a crescer-te nos dedos /e uma raiva a nascer-te nos dentes/Não me digas que não me compreendes."
Não me digas que não a compreendes, não me digas que não nos compreendes.