"Os imbéciles e escuros poden ser máis. Pero, non poden apagar a resisténcia"

Reproducimos a arenga redactada por Charo Lopes, portavoz de Causa Galiza, e lida o 25 de julho de 2010:

 

Estamos em umha situaçom grave: agressons e legislaçom reaccionária, na língua, no meio ambiente, na mulher, e na economia: a tam cacarejada crise. Que nos apertemos o cinto, disque. Mentres eles, se querem, despilfarrarám a maos cheias em circos obscenos, diante dos fuzinhos da maioria. Que todas temos que colaborar.  

 

Claro, para pagá-lo sempre está o povo. Porque é povo traballador quem está a sofrer os recurtes à machada, as agressons. Estám a refundar o seu capitalismo a costa das nossas vidas. Querem que matemos as vacas, ou que afoguemos no leite, que os tratores deixem de funcionar. Querem engordar os seus petos a costa das condiçons e postos de trabalho. Precariedade. Expedientes de regulamento de emprego. Convénios de miséria. Recurtes dos recurtes sociais. Privatizaçons. Anulaçom de direitos.

 

Mas cá nom todas temos a mesma responsabilidade, nem a mesma soluçom. Nom imos ficar de maos dadas mentres nos recurtam os direitos e liberdades mais elementares. Estaremos nas greves. Estaremos nas ruas. Estaremos no nosso sítio, polo nosso caminho, avanzando.

 

A sua pseudodemocracia impede a liberdade e a justiça para Galiza, negando o direito de autodeterminaçom e a possibilidade de decirdirmos sobre nós próprias. Umha reivindicaçom tam básica como a nossa nom tem muita volta argumental que lhe dar. Ou se assume como principio justo para iniciar a discusom, ou nom, e a falta de argumentos apelam a um tribunal, o constitucional, e a umha biblia a constituiçom espanhola. Amén. Amenudo. Se nom ficou claro já nos mandam a polícia, para que entendamos, polas boas ou polas malas, nom si? Sempre há um mercenario para cada ocasom. Para que sitiades a capital de nosso País?  Como bom régime totalitario e paternalista que som, querem controlá-lo todo, deixam fazer só acá encerradas, baixo a súa supervisom policial. Isto nom passa num país normal, muito menos num país livre. Algo há aquí que apesta a fechado, a grande decadência de imperialistas fracasados.

 

É certo, mal que lhes pese, que nom falamos a mesma língua, no sentido máis profundo. De que Estado de Direito falades? Nom será Estado de direita? A nós nom nos vale a legalidade do Estado, a nós vale-nos a legitimidade do Povo. E o povo galego livre nom tem cabida nengumha no actual marco juridico-político. A sua lei é o nosso jugo.

 

Pois ainda que pareza mentira fala de democracia o Estado espanhol. Mas contradi-se coa sua constituiçom: negadora dos direitos mais básicos dos povos que somete.  Contradi-se coa sua lei de Partidos. Coa sua lei de inmigraçom, coas suas leis de família e aborto. Coas suas leis neoliberais todas. E até nos roubam o significado das palabras. Eles usaram os termos, mas nós luitaremos polos conteúdos reais. Autodeterminaçom é democracia. Naçom é soberania. Justiça é igualdade. Constituiçom espanhola é opresom. E Galiza será ceive ou nom será.

 

Temos direito a romper toda a sua realidade de cartom. E desvelar as suas misérias.Temos a necesidade e a obriga como Povo de rebentar as cadeias que nos oprimem; é legal inundar aldeias, encher as praias de cemento e seqüestrar a disidência.É legal a especulaçom urbanística e ilegal a luita contra ela. Som legais os turistas e ilegais as migrantes. É legal o parlamentinho de marionetas e ilegal o poder popular.

 

O espanholismo gubernamental trabalhou muito para, atravês da voz oficial, ir definindo cada território ocupado. E forom extendendo as suas máximas, ou quando menos, os seus critérios. Isto foi asumido pola dirección do autonomismo galego. Vivindo a esquizofrenia do auto-ódio, sem superar os complexos impostos, procurarom um reconhecimento infantil por parte dun Estado que nom nos vai regalar nada.

 

Mas há alternativas. Há um sector da sociedade que nom claudica, e está disposto a redignificar o nosso papel como Povo, luitando, e, conseqüentemente, criando um imaginário colectivo consciente e desacomplexado. Para nós o autonomismo claudicou abandonando a reclamaçom básica, a esencia da luita, a razóm de ser.

 

A nossa é umha história pragada de injustiças e resistências, mas quem resiste vencerá. Os imbéciles e escuros podem ser mais. Mas, nom podem apagar a resistência. Aínda que seja pequena e humilde.

 

 Aqui estamos exprimindo a nossa determinaçom de tirar adiante com isto, porque é o único caminho. Ponheremos as maos, os braços ou o peito antes de deixar que nos tirem a casa. Que nos roubem a Terra. Que nos silenciem a língua. Que nos acabem co País.

 

Este é um trabalho que vai para longo, mas que urge, por isso nom podemos recuar, nem detérmonos. O presente é de luita, mas o futuro é nosso. A Causa Galiza vai avante. E nom abandonaremos a trincheira mentres nom haja justiça no nosso País.

 

Viva Galiza Ceive!